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Nossos lutos de cada dia

Nossos lutos de cada dia

Psicoterapia, Psicopedagogia ,

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Em um dos encontros de estudos que participo com outros psicólogos, conversamos sobre o luto. Quando falamos essa simples palavra, muitas pessoas já saem de perto, evitam falar, pois já associam com morte. Mas o sentido dessa palavra é muito mais amplo. Todos os dias vivemos pequenos lutos. Quando fazemos uma escolha entre ‘isso’ ou ‘aquilo’, o que deixamos de escolher, perdemos – aqui há um luto. 

Quando a mulher escolhe parar de trabalhar para cuidar dos filhos e da família, há o luto de sua vida profissional, de suas expectativas e sonhos, que terão que ficar para mais tarde. E esse luto acontece, é normal e esperado. Faz parte de uma escolha. Mas isso não quer dizer que todas as mulheres têm que fazer o mesmo. Muitas fazem a escolha de continuar trabalhando. E tudo bem! Mas, geralmente, elas sentem que estão perdendo algo. Algumas mulheres nem podem fazer uma escolha e continuam tentando dar conta de tudo... Mas será que dão conta? Sempre há coisas que terão que abrir mão. Às vezes, delas mesmas. Acabam se perdendo no meio do caminho. Suas identidades, suas expectativas e sonhos podem ter ficado tão guardadinhos que elas nem se lembram mais. Mas, geralmente, chega o dia em que percebem que deixaram muita coisa para trás. Fazem um balanço de tudo. Percebem os ganhos, as alegrias que tiveram, mas também percebem os pequenos lutos que tiveram que fazer. 

Esses lutos acontecem com todo ser humano. Todos vivemos lutos – desde os diários, como da perda de um emprego, de um curso que não conseguiu fazer, de uma promoção que estava esperando, de uma festa que não pode ir, de um sonho que esperava realizar -, até os grandes lutos, que precisam ser melhor elaborados, como a morte de um animal de estimação, de um amigo, de um familiar, de um bebê que não nasceu... Esses lutos precisam de mais tempo. E esse tempo é muito singular, individual. Alguns optam por afastar-se socialmente; outros optam por procurar companhias e poder falar da sua perda; outros se perdem e não conseguem reagir... São infinitas possibilidades de reações. Depende das vivências de cada um; de suas histórias; das relações que mantinha com quem perdeu. Quanto maior o afeto, maior é o sentimento de perda.

Já temos muitos trabalhos que são desenvolvidos para auxiliar esse processo. Sim, é um processo. E como tal, leva tempo para ser elaborado. O tempo de cada um. O seu tempo. São trabalhos em grupos, nos quais várias pessoas que estão vivenciando esse processo, se encontram para falar, escutar, trocar, sentir e viver seu luto. Do seu jeito. Muitos preferem o trabalho individual. E tudo bem também. Cada um a seu modo. Sem cobranças e julgamentos. Nesses momentos, precisam apenas ser acolhidos, abraçados, escutados.

Em nossos processos de luto, precisamos nos acolher, nos respeitar, nos abraçar, nos amar, resgatando a fé em nós mesmos. Resgatando a fé na vida. Tudo no seu tempo!
Aqui no Espaço Diálogos, realizamos as Rodas de Conversa, com diferentes temas. O objetivo é sempre a escuta, a reflexão e as trocas, para que aconteçam ressignificações das situações que ficaram, de alguma forma, mal resolvidas e abertas. Assim, cada um tem a oportunidade de apropriar-se de si mesmo.

“Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.”
Cora Coralina

Por Renata Leal Quaglio
Psicologia e Psicopedagogia
CRP 06/46.098-0

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